[Resenha Literária] Eu Sou A Lenda - Richard Matheson
O Último Homem.
Robert Neville é o último da sua raça e, aparentemente, o único humano sobrevivente num mundo infestado por vampiros.
Neville reina durante o dia, quando ele pode caçar impunemente. Mas os vampiros dominam a noite, quando Neville precisa ficar entrincheirado na sua casa, protegido por alhos e espelhos.
No entanto, por quanto tempo um único homem conseguirá resistir, quando todos os seres sobre a Terra querem o seu sangue? E qual será o preço que ele deve pagar por sua sobrevivência?
“Normalidade era um conceito da maioria, o padrão de muitos, não de apenas um homem.”
‘Eu Sou A Lenda’ é um livro escrito por Richard Matheson e publicado em 1954! Pois é, tempo pra caramba! Imaginem só que pessoa desinformada que eu sou: nunca imaginei que o filme ‘Eu Sou A Lenda’ com Will Smith fosse uma adaptação cinematográfica da obra de Matheson. – Mas, calma aí! – Eu nem sequer sabia da existência do livro, então acho que tudo bem, não?! Não!!! Isso só enfatiza o quanto eu sou alheio ao mundo e aos pequenos detalhes que nos cercam. Sempre sou o último a descobrir sobre qualquer coisa. Desde o lançamento de música de minhas cantoras favoritas até episódios novos de séries que eu gosto. Resumindo, eu sou um péssimo seguidor de absolutamente qualquer coisa. Mas gostaria de apontar que não faço isso porque não me interesso, eu diria que, muito provavelmente, há preguiça envolvida ali no meio e uma dose de outras coisas que me fazem perder o foco! Ahhh... Pois é. Julguem-me! Ahaha
Resolvi ler o livro quando o descobri meio que por acidente e numa pesquisa rápida logo percebi que a história que compõe as páginas do livro era completamente diferente do que foi visto nas telas do filme de 2007! Honestamente, eu passo longe de ser àquele ‘fã’ chatinho que defende a obra literária com unhas e dentes e condena a adaptação sobre qualquer detalhe fora do lugar. Eu busco sempre apreciar cada um com uma nova perspectiva da história, um novo ponto de vista e por aí vai. Acredito que é possível apreciar as duas coisas sim! Sem condenar um ou outro.
O livro teve outras adaptações também, mas obviamente a que mais obteve atenção foi a com o Will Smith.
The Last Man On Earth foi produzida em 1964. The Omega Man foi em 1971. I Am Legend em 2007. E finalmente, The Omega Man, uma adaptação de baixo orçamento também feita em 2007.
Honestamente só vi a versão de 2007 (a com o Will) e eu gosto do filme, mesmo que não contenha a maioria dos elementos que tornaram o livro tão marcante para a sua época.
Ok! Deixe-me contar um pouco mais sobre o livro e o que eu senti a cada palavra, parágrafo e capítulo.
‘Eu Sou A Lenda’ é narrado em terceira pessoa, contando-nos a história de Robert Neville – o protagonista –, e logo descobrimos que ele é o último homem vivo na Terra! Sim, isso mesmo. Robert não é apenas o último homem na Terra, como também tem sua casa cercada por vampiros durante a noite. O livro trata bastante sobre a solidão que o personagem vive. Mostra como são os seus dias. O que ele precisa fazer para sobreviver. E muitas vezes temos Robert perguntando-se o motivo de continuar tentando. Imaginando qual seria o motivo que faria valer a pena continuar respirando. Honestamente, eu considerei que a narrativa apesar de bastante simples, ela soube nos envolver nesse sentimento obscuro e sombrio que é a solidão muito bem. Imagine o quão difícil deve ser acordar todos os dias e saber que você está sozinho. Que as pessoas que você conhece se foram para sempre e que você nunca mais terá a oportunidade de reaver laços com outrem. Assustador, não é?
A casa de Neville foi readaptada para se tornar uma fortaleza anti-vampiro. Todos os dias ele precisa preparar o alho para pendurar em locais específicos, espelhos e tudo aquilo que ele acredita ser efetivo contra os vampiros. Em certo ponto da história Robert começa a se questionar o que poderia ter acontecido, ou o que teria atingido a raça humana de uma forma tão efetiva a ponto de não restar mais ninguém.
Em alguns momentos da história, somos transportados para o passado num efeito flashback, onde conhecemos a esposa e a filha de Robert Neville. Infelizmente fica óbvio desde o começo do livro de que elas não sobreviveram, o que torna o drama de Neville ainda mais forte, e apesar dos dias que se seguem, ele nunca as esquece. Inclusive, você descobre mais ou menos o que aconteceu com elas no início da ‘doença’, mas fica muito vago. Muito mesmo! Não há muitos detalhes sobre como a filha foi afetada, ou como a esposa foi transportada para o seu segundo canto de descanso.
De fato, o maior foco do livro é a vida solitária de Neville. Muitas vezes ele pensa em acabar com tudo e simplesmente se entregar aos vampiros, mas isso nunca chega a acontecer realmente. Ele sempre se agarra a vida no último segundo. A sanidade do personagem é testada inúmeras vezes pelos vampiros que o infernizam durante a noite, o que torna tudo mais difícil para ele. Há um amigo de Robert – Ben Cortman – que se tornou uma criatura noturna também e esse mesmo colega aparece todas as noites em frente a sua casa. Convidando-o para sair!
“- Sai de casa, Neville!”, “- Sai, Neville!”.
E isso se repete todas as noites. A ponto de deixar Robert completamente absorto em pensamentos instáveis e lutando contra a vontade de continuar se embriagando. Até porque, não é apenas o seu antigo amigo, Ben Cortman, que o inferniza durante as noites. Os outros vampiros acertam pedras em sua casa, quebram coisas que encontram e para dificultar mais ainda a vida de Robert, as mulheres vampiras ficam se insinuando para ele, tentando trazê-lo para fora. Seduzindo-o sempre que o pegam bisbilhotando, ou até mesmo fazendo barulhos quando ele não está vigiando-as.
Felizmente em certo ponto do enredo Robert Neville reencontra uma fagulha de esperança ao se deparar com um cachorro. E ele tenta pacientemente durante semanas poder se aproximar do bichinho. Acredito ter sido o ponto da história que mais me tocou, porque eu estava torcendo muito para que desse certo entre os dois!
O livro é curto e quando terminei de ler eu não soube o que sentir ou pensar. Sério! Não era o que eu estava esperando para o final do livro. Eu não soube esboçar qualquer reação. Não sabia se eu estava satisfeito ou insatisfeito; feliz ou triste; emocionado ou desapontado. Putz! Acredito que eu tenha ficado um pouco frustrado, porque eu realmente não estava esperando por àquele final. O que posso dizer é que: o livro é bom? Sim, é. Ele é perfeito? Talvez quando foi lançado, levando em consideração o seu ano de publicação. Por quê? Bom, não há exatamente uma explicação para o que aconteceu. Há algumas sugestões, algumas suposições. Mas não há uma resposta concreta. E o que Robert descobre ao decorrer de sua pesquisa – sim, há um momento em que ele tenta descobrir o que aconteceu e o que gerou os vampiros –, não nos satisfaz por completo. Gera aquela sensação de que algo ficou faltando para explicar melhor, para que pudéssemos entender melhor a origem desses vampiros.
Acredito que o livro tinha um potencial maior, mas isso não significa de que não gostei de como ele se findou. É uma boa história e você realmente entende os medos e os anseios do personagem, e quando você menos imagina, lá está você, torcendo por ele. Torcendo para que algo surpreendente aconteça e ele dê a volta por cima.
‘Eu Sou A Lenda’ conseguiu obter a minha atenção de forma natural. O livro não teve que apelar ou usar grandes elementos para que eu gostasse dele, simplesmente obteve a minha atenção conforme a narrativa me apresentava o universo pós-apocalíptico em que Robert Neville e seu vizinho vampiro, Ben Cortman, viviam. Recomendo a leitura? Sim! Porque apesar de sentir a falta de algumas coisas ou até de mais capítulos (o livro é curtinho), a história é muito boa. O livro merece ser lido e com certeza merece uma chance!

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