[Resenha literária] Fragmentados - Neal Shusterman
Primeiramente: amei esse livro e
recomendo muito essa leitura!
Segundamente: primeiramente!
“Em uma sociedade em que os
jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três
fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo
desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo
país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver
até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus
corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos
parece muito, muito longe. O vencedor do Boston GLobe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos
leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o
que realmente significa estar vivo.” - Skoob.
Provavelmente eu não teria lido 'Fragmentados' em 2016 se a Natie não escrevesse a resenha sobre o livro! Lembro-me de ter
lido a resenha e ficado pensativo a respeito do que a trama estava propondo aos
leitores, mas confesso que eu não estava com grandes expectativas. A trama
simplesmente parecia complicada demais para ser colocado numa história e vê-la
funcionando e prendendo os leitores a ela parecia algo difícil de acontecer
(Isso se não fosse bem trabalhado). Felizmente Neal Shusterman provou que eu estava enganado e que na verdade não
tinha nada de tão complicado assim. Talvez aterrorizante ou até surreal, mas
não complexo como parece ser.
Acabei de falar que parece
surreal, não? Pois é. Na verdade, nem tanto assim – Ora, decida-se garoto! –,
porque convenhamos que nós vemos muitas coisas realmente preocupantes e
assustadoras acontecendo em nosso mundo e muitas delas deixam os nossos cabelos
em pé! Eu poderia dar alguns exemplos, mas para simplificar: há mentes
distorcidas o suficiente neste planeta que seriam capazes de violar a vida
alheia para que outro – muito provavelmente rico – vivesse em ‘perfeitas’
condições.
OK. Chega de enrolar e vamos ao
que interessa: o que é que realmente acontece nesse livro?
Neal nos apresenta logo no
primeiro capítulo um dos protagonistas: Connor.
Ele é um garoto problemático que não se importa muito com as regras ou o que
ele representa para as pessoas que vivem ao seu redor. Ele é impaciente –
sério, em muitos momentos vemos o seu pavio quase explodir –, briguento e aparentemente
um menino grande e intimidador. No entanto, no decorrer dos acontecimentos
seguintes somos apresentados a um garoto que, apesar de ter muitos problemas e
dúvidas, ele é só mais um garoto. E não importa quantos erros ele já tenha
cometido, ele é só mais um tentando descobrir o significado da vida e o porquê
de ele não ser digno o bastante para continuar vivendo com a sua família.
“- Ei, espera aí. Como assim? Não
entendi um pouco direito!”.
Infelizmente a realidade no livro
é muito parecida com a nossa. Algumas pessoas dizem que um filho é uma dádiva
na vida de uma mãe, mas quantas realmente pensam assim? Quantas querem criar e
ver o próprio filho crescer? É, nem todas acreditam nisso ou querem empenhar o
papel de mãe ou de pai. E é isso que acontece em ‘Fragmentados’. Vemos mães – e
pais também – vendendo seus filhos para o governo para que sejam fragmentados,
ou seja, sejam completamente desmembrados para que estes membros possam
substituir uma parte ou outra de alguém que não o possui mais devido a um
acidente ou doença, o que vier primeiro! Sim, isso é muito revoltante, não é?
Inclusive, pessoas sãs sentem-se assim quando vêem pais negligenciando seus
filhos. Estou mentindo?! Imagine então como eu me senti lendo este livro e
descobrindo como esses pais se comportam e como realmente se sentem a respeito
de seus filhos? Nossa, eu simplesmente queria, sei lá, distribuir bofetadas nos
pais de todos os ‘Fragmentários’ – como são chamados os que estão marcados para
a Fragmentação. REVOLTANTE!
Sim, isso estava escrito para
acontecer com Connor e muitos outros jovens. Finalmente, Connor descobriu que sua
família o vendeu para que fosse levado e fragmentado. Pergunto-me o que seria
necessário acontecer para alguém tomar essa decisão, mas concluí que não é
preciso chegar muito longe para descobrir a resposta. Realmente há muitas
mentes por aí que desafiam a força da natureza! E PLMDDS, quem é que deu esse
poder todo para que esses pais e mães decidam se seus filhos devem ou não
viver?! REVOLTANTE!
A partir do momento em que Connor
descobriu a sua trágica realidade ele finalmente toma a decisão de fugir de
casa para tentar a sorte. Afinal, o que ele tinha a perder? Se ficasse,
obviamente perderia todos os membros de seu corpo, então o que viesse seria
lucro.
Carregado pelo desespero em
manter-se vivo, Connor convida sua namorada para fugir com ele e inicialmente
ela até concorda, mas logo percebemos que o amor que ela sentia por ele é tão
superficial quanto a cor dos olhos dela – que foram alterados geneticamente
pela medicina avançada que existe no universo criado por Shusterman –, e então
ele se vê completamente sozinho e parte em busca de refúgio.
Em seguida conhecemos Risa e Lev
que sofrem do mesmo destino, mas que viviam uma realidade diferente a de
Connor. Risa é uma jovem inteligente e dedicada, mas que sempre parece ser
julgada insuficiente pelas pessoas que a guardavam. Lev era um garoto feliz e
que acreditava fazer parte de algo maior do que ele, e essa ingenuidade o faz
cometer alguns erros durante a sua fuga forçada. Mas é compreensível. Não
podemos simplesmente varrer a ideia da cabeça de alguém e esperar que ele abra
os olhos para a realidade assim, de um minuto para outro.
Honestamente eu me apaixonei por
Connor e Risa – Principalmente pelo Connor –, não que eu não tenha gostado do
personagem Lev, mas ao contrário dos dois, eu não lia os capítulos de Lev com
tanta ferocidade. Não sei. Acredito que ele seja o preferido de muita gente,
mas comigo não rolou. Apenas torcia para que ele não tivesse um fim trágico,
porque de resto eu estava bem feliz e satisfeito acompanhando a trajetória e a
mudança de comportamento dos outros dois – Lev também muda bastante no decorrer
da história. O Connor muitas vezes nos prova que estávamos errados em julgá-lo
um simples rebelde – inclusive seus próprios pais –, porque apesar de suas
ações impensadas e um passado nem tão heróico, ele nos mostra como ele aprende
com a vida e como ele é capaz de se redimir, reparando os erros do passado (não
do jeito que se espera, masss... Melhor do que nada, né?).
Enfim! O livro é realmente muito
bom e ele aborda um tema que inicialmente parece complexo demais ou até mesmo
surreal, mas acreditem quando eu digo que na hora da leitura você percebe que
não há tanta diferença assim entre a nossa realidade e a fantasia criada por
Neal! A narrativa é realmente muito boa e as formas como os acontecimentos se
ligam um ao outro é fantástica. Neal ganhou um fã com esse livro e eu espero
ansiosamente pela sequência! Recomendo muito a leitura e eu acredito que muitos
de vocês não vão se arrepender. História envolvente, personagens bem
trabalhados e um universo bastante REVOLTANTE! Mas que te prende e consegue
arrancar de dentro de você uma vontade louca de lutar contra esse sistema
absurdo! Gostaria de dedicar a música ‘Revolting Children – Matilda The Musical’
para os três jovens maravilhosos criados por Neal Shusterman: Connor, Risa e
Levi!
Espero que tenham gostado da
resenha e que eu não tenha deixado escapar nenhum spoiler! Muito obrigado por
dedicar esse tempinho para ler e até a próxima! <3
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